Um Blog de Nos Dois...

By Ricardo & Kátia

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Quando ouvi essa música pela primeira vez me apaixonei, mas nunca pensei que era o Paulo Ricardo. Tinha que postar aqui, ela está tocando na novela Páginas da Vida. Tem uma trilha sonora internacional bem legal, Cold Play, Shakira, Damien Rice... Entre outros. Vale a pena ouvir.

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Beautiful Girl
Paulo Ricardo
Composição: Andrew Farris, hit do grupo Inxs

Nicky's in the corner
With a black coat on
Running from a bad home
With some cat inside
Now where did you find her
Among the neon lights
That haunt the streets outside
She says
Stay with me
Beatiful girl
Stay with me
Beatiful girl
Stay with me
She wants to go home
From doorway to doorway
Street corner to corner
With the neon ghosts in the city
And she saysShe's so scared
So very frightened
Anything could happen
Right here tonight

sábado, janeiro 13, 2007

Defenda-se de zumbis!!!

Diretamente do "Guia de sobrevivência a Zumbis - Proteção total contra os mortos-vivos", livro escrito pelo roteirista do Saturday Night Live, Max Brooks (filho de Mel Brooks), um decálogo de preparação para o ataque de zumbis a sua residência:

1.Organize-se antes que eles despertem!
2.Eles não sentem medo. Por que você deveria?
3.Use sua cabeça: corte a deles.
4.Lâminas não precisam ser recarregadas.
5.Proteção ideal: roupas apertadas, cabelos curtos.
6.Suba a escada, mas destrua ela depois.
7.Saia do carro, suba na moto.
8.Mantenha-se em movimento, fique escondido, fique quieto, fique alerta!
9.Nenhum lugar é seguro, apenas ainda mais seguro.
10.O zumbi pode ter ido embora, mas a ameaça permanece.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Meus oito anos

Coisa mais linda que minha Avó deixou para os netos.

Cassimiro de Abreu

Oh ! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueiras,À sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!Como são belos os dias Do despontar da existência!- Respira a alma inocênciaComo perfumes a flor;O mar é - lago sereno,O céu - um manto azulado,O mundo - um sonho dourado,A vida - um hino d'amor!Que auroras, que sol, que vida,Que noites de melodiaNaquela doce alegria,Naquele ingênuo folgar!O céu bordado d'estrelas,A terra de aromas cheia,As ondas beijando a areiaE a lua beijando o mar!h ! dias da minha infância!Oh ! meu céu de primavera!Que doce a vida não eraNessa risonha manhã!Em vez das mágoas de agora,Eu tinha nessas delíciasDe minha mãe as caríciasE beijos de minha irmã!Livre filho das montanhas,Eu ia bem satisfeito,Da camisa aberta o peito,- Pés descalços, braços nus -Correndo pelas campinasÀ roda das cachoeiras,Atrás das asas ligeirasDas borboletas azuis!Naqueles tempos ditososIa colher as pitangas,Trepava a tirar as mangas,Brincava à beira do mar;Rezava às Ave-Marias,Achava o céu sempre lindo,Adormecia sorrindoE despertava a cantar!
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Oh ! Que saudades que tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem mais!Que amor, que sonhos, que flores,Naquelas tardes fagueiras,À sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais! .

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Planetário (Constelações)

Fui ontem no Planetário com o Ricardo, Thiago e Leidiane. Foi muito massa, ver o céu e as constelações, e é sobre elas que eu vou falar.


Constelações são agrupamentos aparentes de estrelas os quais os astrônomos da antiguidade imaginaram formar figuras de pessoas, animais ou objetos. Numa noite escura, pode-se ver entre 1000 e 1500 estrelas, sendo que cada estrela pertence a alguma constelação. As constelações nos ajudam a separar o céu em porções menores, mas identificá-las é em geral muito difícil.
Uma constelação fácil de enxergar é Órion, mostrada na figura acima como é vista no hemisfério sul. Para identificá-la devemos localizar 3 estrelas próximas entre si, de mesmo brilho, e alinhadas. Elas são chamadas Três Marias, e formam o cinturão da constelação de Órion, o caçador. Seus nomes são Mintaka, Alnilan e Alnitaka. A constelação tem a forma de um quadrilátero com as Três Marias no centro. O vértice nordeste do quadrilátero é formado pela estrela avermelhada Betelgeuse, que marca o ombro direito do caçador. O vértice sudoeste do quadrilátero é formado pela estrela azulada Rigel, que marca o pé esquerdo de Órion. Estas são as estrelas mais brilhantes da constelação. Como vemos, no hemisfério Sul Órion aparece de ponta cabeça. Segundo a lenda, Órion estava acompanhado de dois cães de caça, representadas pelas constelaçõs do Cão Maior e do Cão Menor. A estrela mais brilhante do Cão Maior, Sírius, é também a estrela mais brilhante do céu, e é facilmente identificável a sudeste das Três Marias. Procyon é a estrela mais brilhante do Cão Menor, e aparece a leste das Três Marias. Betelgeuse, Sírius e Procyon formam um grande triângulo, como pode ser visto no esquema abaixo.

As estrelas de uma constelação só estão aparentemente próximas na esfera celeste, pois na verdade estão a distâncias reais diferentes. Quando você olha em um atlas do céu, você encontra as constelações representadas em diagramas como o abaixo, em que as estrelas são desenhadas com tamanhos diferentes para representar brilhos diferentes. Note que este diagrama mostra Órion na orientaçâo em que é vista no hemisfério norte.

As constelações surgiram na antiguidade para ajudar a identificar as estações do ano. Por exemplo, a constelação do Escorpião é típica do inverno do hemisfério sul, já que em junho ela é visível a noite toda. Já Órion é visível a noite toda em dezembro e, portanto, típica do verão do hemisfério sul. Alguns historiadores suspeitam que muitos dos mitos associados às constelações foram inventados para ajudar os agricultores a lembrarem quando deveriam plantar e colher.
As constelações mudam com o tempo, e em 1929 a União Astronômica Internacional adotou 88 constelações oficiais, de modo que cada estrela do céu faz parte de uma constelação. Cada constelação tem sua coordenada.
Lista alfabetica das constelações, em Latim e Português
Andromeda, Andrômeda (mit.)
Antlia, Bomba de Ar
Apus, Ave do Paraíso
Aquarius, Aquário
Aquila, Águia
Ara, Altar
Aries, Áries (Carneiro)
Auriga, Cocheiro
Boötes, Pastor
Caelum, Buril de Escultor
Camelopardalis, Girafa
Cancer, Câncer (Caranguejo)
Canes Venatici, Cães de Caça
Canis Major, Cão Maior
Canis Minor, Cão Menor
Capricornus, Capricórnio (Cabra)
Carina, Quilha (do Navio)
Cassiopeia, Cassiopéia (mit.)
Centaurus, Centauro
Cepheus, Cefeu ( mit.)
Cetus, Baleia
Chamaeleon, Camaleão
Circinus, Compasso
Columba, Pomba
Coma Berenices, Cabeleira
Corona Austrina, Coroa Austral
Corona Borealis, Coroa Boreal
Corvus, Corvo
Crater, Taça
Crux, Cruzeiro do Sul
Cygnus, Cisne
Delphinus, Delfim
Dorado, Dourado (Peixe)
Draco, Dragão
Equuleus, Cabeça de Cavalo
Eridanus, Eridano
Fornax, Forno
Gemini, Gêmeos
Grus, Grou
Hercules, Hércules
Horologium, Relógio
Hydra, Cobra Fêmea
Hydrus, Cobra macho
Indus, Índio
Lacerta, Lagarto
Leo, Leão
Leo Minor, Leão Menor
Lepus, Lebre
Libra, Libra (Balança)
Lupus, Lobo
Lynx, Lince
Lyra, Lira
Mensa, Montanha da Mesa
Microscopium, Microscópio
Monoceros, Unicórnio
Musca, Mosca
Normai, Régua
Octans, Octante
Ophiuchus, Ofiúco (Caçador de Serpentes)
Orion, Órion (Caçador)
Pavo, Pavão
Pegasus, Pégaso (Cavalo Alado)
Perseus, Perseu (mit.)
Phoenix, Fênix
Pictor, Cavalete do Pintor
Pisces, Peixes
Piscis Austrinus, Peixe Austral
Puppis, Popa (do Navio)
Pyxis, Bússola
Reticulum, Retículo
Sagitta, Flecha
Sagittarius, Sagitário
Scorpius, Escorpião
Sculptor, Escultor
Scutum, Escudo
Serpens, Serpente
Sextans, Sextante
Taurus, Touro
Telescopium, Telescópio
Triangulum, Triângulo
Triangulum Australe, Triângulo Austral
Tucana, Tucano
Ursa Major, Ursa maior
Ursa Minor, Ursa Menor
Vela, Vela (do Navio)
Virgo, Virgem
Volans, Peixe Voador
Vulpecula, Raposa
Essas constelações foram definidas por:
Claudius Ptolomaeus, no Almagesto em cerca de 150 d.C.;
Johann Bayer (1572-1625), astrônomo alemão, no Uranometria em 1603;
Johannes Hevelius (1611-1689), astrônomo alemão-polonês, e
Nicolas Louis de Lacaille (1713-1762), astrônomo francês, nos Memórias e Coelum Stelliferum em 1752 e 1763.
O Zodíaco
As constelações que formam o Zodíaco (círculo dos animais), uma faixa de 18 graus em volta da eclíptica, definida por Aristóteles, podem ser relacionadas pelo mneumônico ArTaGeCa LeViLiSco SaCAquaPi, pois são: Aries, Taurus, Gemini, Cancer, Leo, Virgo, Libra, Scorpius, Sagittarius, Capricornus, Aquarius e Pisces.
Devido à precessão dos equinócios, o Sol atualmente cruza as 13 constelações do zodíaco:

Áries de 19 de abril a 13 de maio,
Touro de 14 de maio a 19 de junho,
Gêmeos de 20 de junho a 20 de julho,
Câncer de 21 de julho a 9 de agosto,
Leão de 10 de agosto a 15 de setembro,
Virgem de 16 de setembro a 30 de outubro,
Libra de 31 de outubro a 22 de novembro,
Escorpião de 23 de novembro a 29 de novembro,
Ofiúco de 30 de novembro a 17 de dezembro,
Sagitário de 18 de dezembro a 18 de janeiro,
Capricórnio de 19 de janeiro a 15 de fevereiro,
Aquário de 16 de fevereiro a 11 de março e
Peixes de 12 de março a 18 de abril.
O poeta grego Hesíodo (c.753-c.680 a.C.) escreveu em seu poema "Trabalhos e Dias" que quando a constelação do Órion estivesse no meio do céu e Arcturus estivesse no horizonte ao amanhecer, estava na hora da colheita.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Tudo sobre o HOMEM-ANIMAL

Homem-Animal Pré-Crise
Dave Wood e Carmine Infantino

Voltemos no tempo, precisamente para setembro de 1965, quando no número 180 da revista Strange Adventures o escritor Dave Wood e o desenhista Carmine Infantino trouxeram ao mundo dos quadrinhos o personagem Buddy Baker, um homem comum que ao ver uma espaçonave alienígena cair na Terra, resolveu investigar. Buddy recebeu uma grande carga de radiação, que alteraria seu corpo para sempre.

Quando animais de um zoológico escaparam, Buddy descobriu que quando se aproximava de algum animal, de alguma forma, absorvia suas habilidades. Dessa forma, pode voar como um pássaro, nadar como um tubarão e correr tão rápido quanto um jaguar.

Após pequenas aventuras incitadas pela nova realidade, Buddy decidiu confeccionar um uniforme e passou a usar o nome de Homem-Animal (Animal-Man ou A-Man, no original) quando usava seus poderes em público.

O tempo foi-se passando e as habilidades de Buddy foram lhe permitindo ajudar pessoas em um problema ou outro, mas nunca teve a intenção de tornar-se um super-herói e combater o crime.

Foi então que Buddy casou-se com Ellen Frazier e abandonou sua identidade de Homem-Animal por muitos anos, enquanto continuava com sua carreira de dublê no cinema. Buddy e Ellen tiveram dois filhos, Cliff e Maxine, que não monstraram qualquer disfunção relativa ao acidente sofrido pelo pai anos atrás.

O Homem-Animal teve cinco histórias publicadas na revista Strange Adventures. Além da estréia na edição 180, apareceu também nos números 184, 190 (quando usou uniforme pela primeira vez), 195 e 201.

A série Strange Adventures foi publicada pela DC Comics desde 1950, chegando ao seu fim no número 244, no ano de 1973. Ao longo dos 23 anos, a revista serviu como laboratório para personagens... estranhos, que não atendiam ao mesmo público de heróis clássicos como Superman, Flash e Batman. Além do Homem-Animal, saíram de suas páginas também o Capitão Cometa e Deadman.

Durante muito tempo Strange Adventures serviu de casa para o Cavaleiro Atômico, e terminou publicando contos de Adam Strange, além de apresentar a origem do Homem-Imortal, que mais tarde atuaria ao lado do Homem-Animal no grupo Heróis Esquecidos (Forgotten Heroes).

Buddy Baker teve duas aventuras publicadas em Wonder Woman #267 e #268, após mais de uma década no ostracismo, resgatado pela dupla Gerry Conway e Jose Delbo. Essas edições saíram aqui no Brasil em Heróis em Ação #4 e #5, pela Editora Abril, no ano de 1984. O Homem-Animal fez também algumas aparições em títulos como Action Comics, Red Tornado e DC Comics Presents, sozinho ou no grupo Heróis Esquecidos.

Heróis Esquecidos

Os Heróis Esquecidos reúnem alguns heróis relegados à terceira divisão da DC que encontraram antigas pirâmides douradas em diversos cantos do mundo, que logo são confiscadas pelo governo dos EUA. Reunidos pelo Homem-Imortal, ficam sabendo que as relíquias por eles encontradas fazem parte do plano do também imortal Vandal Savage para destruir o Superman.

Com a liderança do Homem-Imortal e a eventual ajuda do Superman, estes heróis esquecidos unem-se para destruir as pirâmides e salvar o mundo. Ao fim da aventura, decidem permanecerem unidos para resolverem juntos problemas que separados não dariam conta.

O nome do grupo, “Heróis Esquecidos”, aparentemente pejorativo, tinha a intenção de passar a mensagem de que qualquer pessoa no mundo podia ser um herói, não importando quão famoso era.

A primeira aparição do grupo foi na revista Action Comics #552, com texto de Marv Wolfman e arte de Gil Kane.

Além do Homem-Animal, formavam os Heróis Esquecidos:

Cave Carson: Um arqueologista e explorador de cavernas (daí o apelido Cave) sem superpoderes. Apareceu pela primeira vez na revista Brave and The Bold #31. Suas aventuras mostravam grandes expedições em buscas de cidades perdidas, ao lado de seus companheiros Bulldizer Smith, Christie Madison, Johnny Blake e Lena, sua macaquinha. Usava em seu auxílio a Mighty Mole, arma que dispara poderosos raios que cortam rochas como manteiga. Criado por Ed Herron e Bruno Premiani.

Delfim (Dolphin): Pouco se sabe dessa misteriosa garota que pode ficar submersa de cinco a seis horas. Especula-se que pode ser a última de uma antiga raça submarina, uma alienígena ou o resultado de alguma experiência esquecida. Teve sua primeira aparição em Showcase #79, em janeiro de 1969, criada por Jay Scott Pike. Na reformulação do Aquaman feita no final da decadá de 90, Delfim foi sua namorada por um tempo, chegando a usar seu uniforme quando ele mudou roupagem. Hoje ela está casada com Tempest (antigo Aqualad) e da ultima vez que eu li sobre ela estava grávida dele

Homem-Imortal (Immortal Man): Heróico desde que era um jovem guerreiro de uma tribo pré-histórica, teve como grande inimigo o ardiloso Vandar Adg, e foi em uma batalha contra Adg que uma grande bola de fogo caiu dos céus e, com sua radiação, conferiu a Adg o dom da imortalidade. O jovem guerreiro, sem saber que fora afetado, encontrou no local da queda da bola de fogo uma brilhante jóia, que usa até hoje como amuleto. Sua imortalidade, porém, é um pouco diferente. Ele pode morrer, mas renasce em seguida como outra pessoa, às vezes jovem, outras vezes velho. Foi em Strange Adventures #177 em junho de 1965 que este personagem veio ao mundo, criado por Jack Sparling.

Rick Flagg: Líder do primeiro Esquadrão Suicida que foi formado durante a 2ª Guerra Mundial para servir como um grupo ultra-secreto ao governo norte-americano, formado por condenados. É um grande estrategista. Apareceu pela primeira vez em Brave and the Bold #25, em agosto de 1959, pelas mãos de Robert Kanigher e Ross Andru.

Dane Dorrance: Antigo líder do Sea Devils (Demônios do Mar), grupo de exploradores submarinos que objetivavam a descoberta de antigas civilizações e tesouros perdidos. Lutavam contra inimigos como Octopus Man, Mr. Neptune, The Human Tidal Wave, Manosaur, Man-Fish, Captain X e monstros aquáticos. Dorrance não tinha superpoderes, e sua primeira aparição, juntamente com os Sea Devils, foi na Showcase #25.

Congo Bill: Um explorador e naturalista, possui um anel que possibilita ao dono trocar de mente com o gorila dourado chamado Congorilla. É um grande atleta e ótimo lutador. Sua estréia foi em More Fun Comics #56, uma das mais antigas revistas da DC que lançou personagens como o Espectro, Dr. Destino, Johnny Quick, Aquaman, Arqueiro Verde, Ricardito e Superboy. Substituiu a primeira revista da DC, New Fun Comics, que durou apenas 6 edições. Apareceu também como Congorilla em Action Comics #1, ao lado do Superman.

Rip Hunter (Time Master): Cientista e viajante do tempo que, com sua esfera por ele mesmo criada, pode ir para qualquer lugar do tempo-espaço. Debutou na Showcase #20, em 1959.

A Crise

Buddy (dir) ao lado de Rip Hunter na nave de Brainiac

O universo da DC Comics andava uma confusão danada. Com 50 anos de história nas costas, a tradicional editora se via enrolada ao ter que dar consistência para diversos universos, Terras e tempos paralelos.

Foi então que o lendário Marv Wolfman, então escritor dos Novos Titãs, resolveu criar uma história que arrumasse a casa. A premissa era a de um universo negativo que estava para tomar o lugar do nosso universo positivo, acabando com nossa realidade.

A participação de Buddy Baker na saga foi discretíssima. Apareceu apenas nas duas últimas edições americanas (#11 e #12), juntamente com outros heróis como Rip Hunter, Delfim. Capitão Cometa, Adam Strange e Cavaleiro Atômico. A missão designada a eles era a de investigar a nave de Brainiac e pedir sua ajuda. São levados então até Apokolips, onde são recebidos por Darkseid.

Darkseid ajuda a deter o Antimonitor usando o corpo de Alexander Luthor para canalizar e liberar imensa quantidade de energia, deixando o monstro pronto para o abate nas mãos do Superman.

Esses fatos foram monstrados no Brasil na mini-série em 3 edições Crise nas Infinitas Terras, lançadas entre maio e julho de 1989, republicada recentemente na forma de dois encadernados de luxo da Panini Comics.

Ao final da série, o histórico dos personagens foi zerado. Nada do que aconteceu antes da Crise valia mais. Era como se tivéssemos voltado ao longínquo ano de 1935, o início da DC Comics.

Homem-Animal Pós-Crise

Ao fim da crise, a DC teve a oportunidade de recomeçar. Alguns dos maiores nomes das HQ's foram chamados para recontar a história dos maiores heróis do mundo. Mas... e o Homem-Animal?

Grant Morrison

Bem, como nunca foi um herói do primeiro escalão, a DC deixou Buddy Baker na geladeira durante um tempo. Afinal, ele nunca tivera um título próprio, por que resgatar um personagem sem apelo de mercado? Ninguém lembraria dele.

Foi então que o jogo começou a virar para os personagens considerados de terceira linha: o inglês Alan Moore foi contratado para trabalhar naquele que seria uma das maiores obras da nona arte: Monstro do Pântano, a série que foi o embrião da hoje consagrada linha Vertigo.

Com a explosão do Monsto do Pântano, a DC animou-se e saiu à procura de novos talentos europeus para revitalizar personagens esquecidos no fundo do baú da editora. Um dos que mais chamaram a atenção foi o jovem escocês Grant Morrison, que realizava um ótimo trabalho com a saga de Zenith, para a editora inglesa 2000 AD.

Com carta branca da DC para escolher um personagem, Morrison optou por trabalhar com o Homem-Animal. Sua terceira escolha, as outras foram Batman, que estava sendo remodelado e Arqueiro Verde, já entregue a outro artista. Nem mesmo Morrison sabe explicar o porquê dessa escolha e da sua fascinação pelo personagem, mas a DC topou a aventura. E que aventura. Em setembro de 1988 chegaram às comic shops americanas o primeiro número de Animal Man, com desenhos de Chas Troug e arte-final de Doug Hazlewood.

A intenção inicial de Morrison era escrever uma minissérie em quatro partes, radicalizar o personagem e então entregá-lo a outro escritor, mas a DC insistiu para que fosse feita uma série mensal. Tivemos sutis mudanças em relação ao original pré-Crise, como você poderá ver abaixo:

Morrison a tudo muda, mas não muda nada

Morrison começa a dar sua cara ao personagem. Em sua juventude, Buddy era um punk radical, a exemplo do integrante de banda punk nas horas vagas Grant Morrison. Vale lembrar que Zenith também era um herói de veia roqueira.

A origem dos poderes de Buddy é bem mais complexo que na era pré-Crise. Segundo Morrison, Buddy morrera na explosão da nave alienígena, e fora reconstruído pelos aliens, ganhando poderes ligados aos animais. Tais aliens também foram responsáveis pelos poderes de Fera Bwana, Vixen e Tabu.

Esses acontecimentos confusos ficaram escondidos no subconsciente de Buddy e, de repente, ele se viu capaz de usar poderes dos animais que estavam próximos a ele. Buddy estava agora conectado ao campo morfogenético da Terra, campo esse que liga todos os seres vivos.

Acatando uma sugestão de Roger, seu amigo de infância e seu eventual empresário, Buddy passa a usar um uniforme laranja e azul, dando início à carreira do super-herói Homem-Animal, tanto para se divertir como para promover sua banda de rock, lutando contra alienígenas e outras aberrações.

Após alguns anos de heroísmo, Buddy abandona a identidade de Homem-Animal, casa-se com sua namorada do colégio, Ellen Frazier, e muda-se para San Diego. Ambos passam a viver do trabalho de Ellen como ilustradora de contos infantis e da recém-iniciada carreira de Buddy como dublê de cinema para sustentar os dois filhos, Cliff e Maxine.

O interessante é perceber que Morrison não jogou no lixo a fase pré-Crise do Homem-Animal. Está tudo lá: Buddy encontrando a pirâmide dourada, entrando para os Heróis Esquecidos, lutando ao lado do Superman contra Vandal Savage e a morte do Homem-Imortal no evento Crise nas Infinitas Terras.

Após a Crise, Buddy voltou à vida simples de pai de família, embora o sonho de ser um super-herói reconhecido jamais saía de sua mente. Ele queria fazer diferente, mas tinha que sustentar sua família. Convencido que o Homem-Animal ainda tinha seu lugar no mundo, Buddy volta à ativa quando é contratado pelos Laboratórios S.T.A.R. para deter Fera Bwana.

Mas, quem é Fera Bwana?

Fera Bwana (B'Wana Beast) apareceu pela primeira vez na revista Showcase #66, em fevereiro de 1967. Criado por Bob Haney e Mike Sekowsky.

Conta a história que Mike Maxwell, acompanhado do gorila e companheiro inseparável Djuba, em uma passagem secreta no alto do monte Kilimanjaro, bebeu uma poção especial e encontrou um elmo peculiar que lhe conferiram poderes especiais. Usando a alcunha de Fera Bwana, Maxwell pode agora ser auxiliado por animais apenas gritando algo como "Ki-ki-kiuuueeeeee!", como se fosse um Aquaman das selvas.

A edição de estréia (capa ao lado) foi um verdadeiro fiasco, fazendo com que Fera Bwana tivesse apenas mais uma aventura publicada, antes de reaparecer na quinta e na última partes da saga Crise nas Infinitas Terras. Depois disso deu as caras em um anual do Monstro do Pântano em 1987, na história "Primos Distantes". Só voltou aos holofotes pelas mãos de Grant Morrison em Homem-Animal, onde teve sua origem ligada à origem do próprio Homem-Animal.

Os poderes do Homem-Animal

Buddy têm contato direto com o campo morfogenético da Terra, portanto, pode utilizar qualquer habilidade de qualquer animal, apenas concentrando-se em algum animal que esteja perto dele.

Absorvendo determinada habilidade, Buddy aprende a usá-la. Ele não precisa de asas para voar como um pássaro, por exemplo, e ao adquirir a força de um elefante, não tem seus músculos alterados. Ele pode, porém, usar a habilidade das minhocas para recompor partes perdidas de seu corpo. Com o tempo, porém, aprende a mimetizar a aparência dos animais, como adaptar as garras de um wolverine temporariamente.

Com suas capacidade de contactar animais, o Homem-Animal pode falar e até mesmo controlá-los. Pode também transferir sua mente para qualquer ser vivo e usar o corpo do mesmo da forma e por quanto tempo quiser. Isso o permite sobreviver mesmo quando seu corpo for morto.

E já que os seres humanos são também animais, podem ser também usados por Buddy como bem quiser, coisa que ele evita.

Potencialmente, o Homem-Animal dispõe de poder suficiente até mesmo para criar um universo completo, mas o homem dentro dele limita essa capacidade.

O Evangelho do coiote

DC2000 #3

Na quinta edição de Homem-Animal, intitulada O Evangelho do Coiote, Morrison dá início a uma longa saga que duraria até o número 26, último escrito por ele. É uma história totalmente non-sense, em que Buddy Baker recebe uma espécie de papiro com hieróglifos incompreensivos, que contém a chave para a paz entre os animais da Terra.

Homem-Animal Vol 1

A editora Brainstore chegou a lançar parte desta fase na forma de encadernados, visando compilar todo o material escrito pelo Grant Morrison em quatro volumes. Infelizmente, a editora encerrou suas atividades antes de publicar todos os volumes, sendo que apenas os dois primeiros foram lançados. Essas edições já haviam sido publicadas aqui na revista DC2000, da Editora Abril, entre março de 1990 e dezembro de 1992. A estréia do Homem-Animal no Brasil foi na terceira edição da DC2000.

Justamente na última edição escrita por Morrison, publicada por aqui na DC2000 #36 e originalmentem em Animal Man #26, o criador encara a criatura. Isso mesmo, Morrison "entra" na história Deus Ex Machina, que inaugura uma nova forma de escrever histórias, levando a metalinguagem às últimas conseqüências.

Durante o tempo que escreveu Homem-Animal, Morrison fez diversas críticas, como experimentos genéticos, homens caçando "por esporte", poluição, desmatamento e fez até mesmo propaganda a favor do vegetarianismo. É Morrison sempre colocando suas conviccções em suas obras.

Nascido para ser selvagem

Animal Man #27: estréia de Milligan

A saída de Morrison do título obrigou a DC a agir rápido e tentar substituí-lo por um artista do mesmo nível. Dessa forma, o inglês Peter Milligan, que havia conseguido grande respeito no meio artístico com o lançamento de Shade, o Homem-Mutável, clássico personagem do mestre Steve Ditko. Shade teve seu primeiro arco de histórias, Todos os Assassinos do Presidente, lançadas aqui no Brasil pela Metal Pesado em agosto de 1997.

Milligan trabalhou durante 6 edições, da 27 à 32, ao lado de Chas Truog e Steve Dillon. Essa saga, chamada no Brasil de Nascido para ser selvagem, foi publicada pela editora Metal Pesado em 1997.

Depois disso, passaram pela revista artistas como Rick Veitch, Jamie Delano, Steve Pugh, Russel Brown, além do inigualável Brian Bolland, que fez todas as capas até a edição #63.

Animal Man durou até o número #63, no ano de 1995, quando foi finalizado. Estava então nas mãos de Jerry Prosser, mas nem de longe lembrava aquele Homem-Animal de quando era escrito por Grant Morrison. A saga de Buddy Baker, porém, continua viva na memória de todos aqueles apaixonados por uma boa história em quadrinhos.